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20 de Julho - Dia do Amigo

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“Meus Amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade.  Escolho-os não pela pele, mas pela pupila,  que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.  Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.  Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria.  Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.  Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.  Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.  Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem,  mas lutam para que a fantasia não desapareça.  Não quero amigos adultos, nem chatos.  Quero-os metade infância e outra metade velhice.  Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto,  e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou,  pois vendo-os loucos e santos,  bobos e sérios, crianças e velhos,...

Olhos

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Apesar de não ser algo visível aos olhos de desconhecidos ou pessoas não muito intimas, ela é sonhadora, romântica e acredita que Deus está cuidando de todos os aspectos de sua vida. Já ouvi seus discursos sobre estar perdidamente apaixonada e/ou amando algumas vezes. Os discursos sempre iam de encontro ao fato de que aquele era o cara certo. Era o cara ideal. Como julgá-la? Não é isto o que todos nós pensamos quando estamos apaixonados?!? Dessa vez ela fez, novamente, um discurso desses. Mas seria injusto não ressaltar que havia, de fato, algo diferente na narrativa. Por vezes, não encontrando palavras suficientes ou corretas pra se expressar, ela apenas dizia “é muito...” e o olho brilhava. Meus pés sempre muito cravados no chão (quando se trata de outras pessoas, claro!) não podem deixar de aconselhá-la a ter cautela, a esperar que as palavras lhe voltem e ela consiga se expressar racionalmente sobre seus sentimentos, pois aprendi com meus tombos que quando não se consegu...

Uma questão de perspectiva

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Ouvi várias críticas nos últimos meses devido aos textos que escrevi, os quais falavam sobre angústia, medo e dúvidas. As críticas se referiam a uma preocupação e/ou espanto genuíno frente a tal sentimento que parecia ser parte cada vez maior em mim. Não considero angústia, medo ou dúvidas coisas ruins, pelo contrário, creio que são sentimentos dotados de capacidade para nos impulsionar e motivar. Como diz um velho ditado: “Você está no fundo do poço? Que bom! Pois agora sua única alternativa é subir”. Claro que o ditado não esclarece o fato de que pode-se escolher permanecer no fundo do poço. Contudo, creio que a maior parte das pessoas se esforçará de forma absurda para escalar as paredes. 

Sobre simplicidade

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O escritório que eu trabalho fica em frente à pista de caminhada (oficial) da minha cidade. Sinto-me frustrada, pois fico aqui, sentada na minha mesa, em frente ao meu computador, enquanto observo as pessoas fazendo caminhada, correndo, e eu, sedentária como sempre. Caminho na pista, em direção a minha casa (e da minha casa em direção ao escritório) durante aproximadamente 40 minutos por dia. Mas não é a mesma coisa. Sinto-me grata pela oportunidade que tenho de ver tantas pessoas passando pela pista, todos os dias. São casais. São jovens. Pais passeando com seus filhos. Adolescentes passeando com seus cachorros. Crianças andando de bicicleta. Não conheço a maioria das pessoas que passam ali. E essa é a melhor parte. Dessa forma, posso imaginar quais são suas histórias, como elas chegaram até ali. Porque aquela senhora esperou engordar tanto para só então começar a se exercitar? Porque aquele casal caminha de mãos dadas? (deve ser desconfortável). Hoje tive a sorte de ver um cas...

Vlws, menino!

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Freud postula que o homem precisa dormir para descansar o corpo e, principalmente, para sonhar: "o sonho é a realização dos desejos reprimidos quando o homem está consciente". Quando o homem dorme, a consciência "desliga-se" parcialmente para que o inconsciente entre em atividade, produzindo o sonho: através do id, os desejos reprimidos são realizados. Acordei me lembrando das definições que já ouvi e estudei acerca de como os sonhos são formados. Dependendo da linha teórica que se leia um fato, a interpretação pode mudar. O que não pode ser mudado é a matéria de que é feito o sonho: o inconsciente. Lembrei-me também que para o inconsciente o passado não existe; passado, presente e futuro estão ali, convivendo entre si. O inconsciente é atemporal. Isso me deixa estarrecida na maior parte das vezes. O inconsciente pode ser comparado a parte inferior de um iceberg, onde se concentra sua maior porção, no entanto, o que vemos do iceberg é sua parte superior (menor ...

Não se trata apenas de ter ou não ter namorado

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A gente sabe que tem a pessoa perfeita como companheiro quando descobrimos que esta pessoa não é perfeita, mas se esforça muito para ser a melhor versão de si mesma pra gente. Ou quando ela aponta o que você tem de errado e logo em seguida diz que te ama. Ou quando ela te dá “o pijama” de presente de dia dos namorados, só porque você é apaixonada por pijamas. Ou quando ela te mima com rosas brancas, só porque é a sua rosa preferida. A gente sabe que tem “o cara” ao lado quando ele te apoia, mesmo sem saber direito do que se trata a situação. E te oferece o ombro pra chorar. Ou se mata de rir do seu lado. Sabemos que temos alguém especial quando não precisamos fingir ser aquilo que não somos. Nos mostramos sem maquiagem. Sem roupas bonitas. Sem risos falsos. Quando ele não acredita que você vai ter coragem de sair de casa de pijama e você sai. Descobrimo-nos verdadeiramente com sorte quando encontramos essa pessoa... sem procurar. Um dia, simplesmente, nos esbarramos a e...

Sobre uma garota

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A sua história começou a me ser contada há alguns anos atrás, quando ela entrou, meio tímida no escritório que eu trabalhava. Ela estava lá por causa de uma vaga de emprego. Chamou-me a atenção quando minha patroa perguntou-lhe quando ela poderia começar a trabalhar, ela não pestanejou, a resposta foi certeira: “posso começar agora mesmo!”. Impulsiva. Decidida. Determinada. Corajosa. Passou pela minha cabeça tais características e eu tentei escolher qual delas a descrevia melhor. Tenho essa mania de tentar entender as pessoas, tentar descrevê-las. Mas anos depois deste acontecido, posso dizer que, ainda hoje, não consigo definí-la em uma palavra. Não acho que seja incompetência minha, acho que a culpa é da complexidade dela. Na verdade, de todos os seres que já tive a oportunidade de esbarrar nessa minha vida. Ela me chamou a atenção novamente quando nos comunicou que ia se casar. Casar? Quem se casa aos 20 anos? Em pleno século XXI. Isso é um absurdo. Ninguém compreendeu muito be...

Ah, os diálogos!

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“Você acredita que o amor pode durar a vida toda?” Recebi essa pergunta, uma tarde dessas, ela veio do lado direito e acertou quase em cheio a minha cara. Não me lembro o que disse na hora, mas devo ter respondido um clichê qualquer do tipo “Conheço casais que estão juntos há 50 anos... eles devem se amar muito!”. Por que no fundo é isso que todo mundo pensa, né? O tamanho do amor se mede pelo tempo que se vive junto com o ser amado. Mas hoje eu ouvi uma história de um amor quase platônico, um daqueles amores que são sentidos e dados em doses homeopáticas. Sem tempo cronometrado entre uma dose e outra, mas com certa continuidade. Fiquei pensando que talvez sejam esses os amores que mais duram. Aqueles amores que vez por outra se esbarram, vez por outra se ligam, vez por outra se beijam, vez por outra se leem, vez por outra estão juntos, mas que sempre se sabem. Aqueles amores que serão lembrados por meio de frases ditas por estranhos no meio de uma aula de geometria ...

Sobre "comunicação"

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Tanto se fala. Tanto se ouve. Tanto se cala. Porque dá-se mais ouvidos ao que se escuta? E quem ouve, será que escuta? E quem fala, será que diz? E quem cala, cala? Há tantas formas de dizer. Há tantos modos de calar. Há tantos jeitos de escutar. Mesmo que se fale muito, muito ainda está calado. Mesmo que se cale sempre, muito ainda será pronunciado, gesticulado, demonstrado, rasgado, enfiado no meio da cara de uma quarta feira gorda. Mesmo que muito se ouça, muita coisa será ignorada, desprezada, rejeitada, interpretada erroneamente. Penso que o crucial é que haja boa vontade por parte da pessoa que recebe a mensagem que é passada, seja esta transmitida por meio de um texto, uma frase, um ponto de exclamação, uma música ou uma imagem. Por meio de um presente, de uma festa surpresa ou de uma visita inesperada. Por meio de gritos cheios de fúria, palavras de amor, olhares, gestos, expressões ou silêncios ensurdecedores.

A curva mais bonita de uma mulher!

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Não vou falar sobre como é bom ser filho, pois, você, eu e todos aqui somos filhos de alguém e, por mais que nossos pais, às vezes, não sejam ou se comportem exatamente como esperamos, ainda assim, ser filho é ótimo. No entanto, já ouvi muitas pessoas dizerem que só entendemos completamente o que é ser filho e o quanto fomos ingratos, injustos e/ou impacientes com nossos pais, quando nos tornamos pais. Ser pai, se tornar um pai ou exercer a paternidade é uma dádiva que se equipara a dádiva de ser mãe. Mas como mulher que sou, sempre vou achar que ser mãe é mais especial. Não passei ainda pela incrível experiência e exercício de ser mãe, enquanto isso observo admirada o milagre da vida se manifestar diante dos nossos olhos quando nos deparamos com a barriga – cada vez maior – de uma gestante. Ser mãe é amar um ser que ainda não se conhece; contar os dias para se perder noites de sono; acumular roupinhas, pacotes de fralda, sapatinhos, mantas e montes de sensações. Sabe...

Carta de um portador de Alzheimer à sua esposa, Leninha

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“Leninha, meu amor,   Escrevo-te esta carta, mas a única viagem que ela fará, será da minha mão para a tua. Escrevo-te porque vais precisar de a ler muitas vezes, e eu também vou precisar que a leias. Não é à toa que me esqueço constantemente das coisas, não é à toa que de um momento para o outro a minha personalidade muda, não é à toa que por vezes o meu discurso não faz sentido. Mas que Deus me ajude a terminar esta carta, pelo menos esta carta, sem que a memória se vá embora e me deixe perdido a olhar para esta folha. Hoje sei que em breve não saberei quem sou, disseram-me os médicos. Tenho alzheimer. Deixarei de viver antes do dia da minha morte, a vida escolheu-me para ter este fim, mas antes disso, escolheu-me para ser o marido mais feliz do mundo, o pai mais feliz do mundo, e por isso não consigo ficar desiludido com ela. Aceito, só posso aceitar. Não fiques triste por mim, meu amor, pois eu não irei sofrer, não me irei lembrar sequer da dor. Os nossos filhos est...

Aqui jazz, blues e bossa nova

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Da série: Motivos pelos quais a Psicologia me conquista todos os dias. Momento: Segundo dia de preparação para intervenção com adolescentes/jovens no estágio de Terapia do Luto. Tarefa 1: Escrever o meu atestado de óbito. Tarefa 2: Escrever meu epitáfio. Nível de dificuldade: 0 Atestado de Óbito Aos 27 dias do mês de setembro do ano 2069, às 14:21h, falece nesta cidade de Gramado – Rio Grande do Sul, a Senhora Paula Cristina Meireles, aos 78 anos de idade. A Senhora Paula sofreu um infarto do miocárdio enquanto revia um antigo álbum de fotografias. Se encontrava, no momento, na presença de seu marido. A causa do infarto não foi conclusiva já que Senhora Paula não possuía vícios e praticava exercícios regulares. Epitáfio: “Aqui jaz alguém que quis e conseguiu fazer a diferença.” PS1: Possuo vícios e não pratico exercícios regulares. Mudar isto enquanto há tempo. PS2: Acredito que 78 anos é tempo suficiente para viver tudo o que se há para viver e não...

Todo carnaval tem seu fim!

Há dias ela combinava com algumas amigas e amigos de passar o carnaval em uma cidade vizinha. Ela não imaginava que aquele seria o caminho que ela percorreria chorando, um dia, por causa do sorriso do malandro que não se abriria, talvez nunca mais, da mesma forma para ela. Mas naquele dia, ela amanheceu elétrica. Era seu segundo carnaval de rua. A animação tomava conta dela do mesmo jeito que os seus short’s tomavam conta de sua mala. Naquele dia ela não podia imaginar como seria seus próximos meses. Passou o dia arrumando a mala, escolhendo cada roupa e acessório. Ela chegou na cidade mais tarde que o planejado. Se encontrou com os amigos. Comeram, conversaram e ela foi dormir acompanhada de um “magrelo”... Ah, aquele magrelo havia conquistado sua simpatia nos últimos meses, mas nem ele e nem ela tiveram culpa quando, na próxima noite, o sorriso do malandro conquistou algo mais que sua simpatia. Claro, que a principio, ela não havia se dado conta de que não seria fácil esquec...

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"Não é possível convencer um crente de coisa alguma,  pois suas crenças não se  baseiam em evidências,  baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar. " - Da série "citações que me leem". 

Não achei um título para isto

"Os bons dias que alguém gostaria de viver com a gente não podem sofrer pelos dias [...] que já vivemos com outro alguém. Pessoas boas aparecem na nossa vida para ocupar os bons lugares que tentaram (não de propósito) estragar.  No fim das contas, vivendo entre boas e más pessoas, nós seremos sempre as mesmas pessoas (será?). Isso quer dizer que o passado não pode prejudicar o nosso futuro. O passado é lição, não prisão." Por: Márcio Rodrigues - Um travesseiro para dois

Entrego, confio, aceito e agradeço

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“Eu lhe suplico, com fervor,  que seja paciente com o que não foi resolvido em seu coração  e que tente amar as próprias perguntas como quartos trancados  e como livros escritos em língua estrangeira.” Estava, há algum tempo, tentando escrever algo que descrevesse a angústia gerada por perguntas que tem me falado cada vez mais alto. Não consegui. Então, me deparei com esta citação de um autor que eu não sei qual é. Reconforto para as perguntas sem respostas. Consolo para a angústia. Enfim, foi a resposta perfeita para tudo, uma resposta não para minhas perguntas, mas para a pergunta que eu não me fiz. Não devo me preocupar com as respostas, simplesmente, devo amar meus questionamentos. Afinal, são eles que me impulsionam e me fazem melhor e mais madura. O meu coração saberá o momento certo de estar completamente em paz.  Entrego, confio, aceito e agradeço. _/\_

Cartas

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Acordei me lembrando das cartas.  Não me refiro àquelas cartas que chegam pelas mãos de um carteiro e contêm um selo registrando de onde essa carta saiu. Refiro-me as cartas realmente significativas... Àquelas que chegam por debaixo da porta sem se saber de onde veio ou de quem, até que se abre e se depara com “querida/o Fulana/o” e é nesse momento que percebemos que a carta será “das boas”. São cartas de amor, entenda-se por amor qualquer tipo de amor. São cartas de saudade. São cartas de ódio (ops, este entra na categoria “qualquer tipo de amor”). São cartas que dizem o que alguém não pôde dizer olhando nos olhos e sentindo a vibração. Mas são cartas cheias de vibração, sentimentos, expectativas. São cartas que vão e não se sabe se uma carta-resposta voltará. Às vezes não há como voltar, pois, nem todas tem remetente (explícito. Sempre se sabe de onde partiu uma carta, mesmo não sabendo). O semblante iluminado, as mãos trêmulas, a mente curiosa e confusa... e do outro lado...

As estrelas não tem culpa nenhuma

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E cada vez mais me dou conta de como as coisas são findas. Tudo teve um começo e terá um final. Tudo o que temos a oportunidade de fazer é saborear o intervalo entre estes dois extremos. Não importa se este intervalo dura um dia, três meses ou cinquenta anos, o que interessa é VIVER este intervalo. E - Oh, Deus - como a vida se torna espetacular quando nos damos conta disso! Porque alguns infinitos são, de fato, maiores que outros! Gratidão por todos os meus infinitos com números contados.

Deus???

Há mais ou menos dois anos atrás, após uma morte extremamente chocante de um amigo (jovem) da família e uma despedida feita pelo seu irmão, uma despedida digna de filme dramático escolhi acreditar que há, sim, um Deus, ou, seja lá o que for, que controla esse e outro tipo de coisas, e que tudo, absolutamente tudo acontece do jeito que este Deus acredita ser o certo para cada um aqui na Terra. Há alguns dias atrás comecei a mudar de ideia e hoje, eu duvido muito que exista um Deus lá em cima preocupado com as pessoas. Se há um Deus, ele não anda sabendo muito bem o que faz, e isso já tem um tempo. Se ele é responsável por cuidar de tudo por aqui, como é possível tantas tragédias com pessoas que (aparentemente) mereciam morrer dormindo tranquilamente em uma cama quente. Morrer não é uma questão de merecimento, mas há mortes que, sinceramente, parecem carregar um grau de crueldade. Prefiro acreditar apenas que cada pessoa aqui na Terra faz suas escolhas e lida com as consequências e,...

Sem título

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Tenho experimentado uma sensação muito estranha de sentir, em cada centímetro do meu corpo, uma saudade absurda de coisas que eu tanto quis nunca mais ter por perto. Angústia é uma sensação arrasadora que atravessa cada músculo do corpo e nos lembra de forma cada vez mais convincente de que as memórias sempre voltam para acertar as contas. Entendo agora que ter saudade do passado não é desejá-lo de volta, a saudade do passado surge, verdadeiramente, quando tomamos consciência de que o nosso presente nos levará a um futuro que enterrará de vez nosso passado; todas as pessoas, as situações, os momentos já vividos, não poderão mais ser revividos. Mesmo as lembranças de momentos que causaram dor tem um espaço especial em uma parte de nós. E estar em calmaria e felicidade gera uma desinquietação, pois, quando estamos acostumados a nadar em um mar revolto, o silêncio do riacho incomoda um pouco. Contudo, nada se compara a extraordinária sensação de completude que me invade a ca...

Aaaaaaaaaaahhhhh!!!!!

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Ah!!!!  Como foi bom ter a inocência de desejar tornar-me adulta,  sem saber que ser “gente grande” é muito mais do que usar salto alto e maquiagem. Como era bom ser colocada no colo  todas as vezes que, após uma queda, o choro era inevitável. Como era bom acreditar que o mundo é uma máquina de realizar desejos. Aaaaahh!!!!  Como seria bom não ser sufocada pelo peso das dúvidas e decisões. Seria incrível se por um dia,  somente um dia,  pudesse saber-me no caminho certo. Talvez seja inocência desejar que pudesse ser possível voltar a ser criança,  tanto quanto foi inocência desejar ardentemente me tornar adulta.  Mas de que são feitos os sonhos  se não de um pouco de inocência,  uma dose de utopia e  algum bocado de coragem? Logo, meu sonho, neste momento, é conformar-me em ser adulta,  assim como deveria ter me conformado em ser uma criança quando ainda o podia.