Todo carnaval tem seu fim!



Há dias ela combinava com algumas amigas e amigos de passar o carnaval em uma cidade vizinha. Ela não imaginava que aquele seria o caminho que ela percorreria chorando, um dia, por causa do sorriso do malandro que não se abriria, talvez nunca mais, da mesma forma para ela.
Mas naquele dia, ela amanheceu elétrica. Era seu segundo carnaval de rua. A animação tomava conta dela do mesmo jeito que os seus short’s tomavam conta de sua mala. Naquele dia ela não podia imaginar como seria seus próximos meses.
Passou o dia arrumando a mala, escolhendo cada roupa e acessório. Ela chegou na cidade mais tarde que o planejado. Se encontrou com os amigos. Comeram, conversaram e ela foi dormir acompanhada de um “magrelo”... Ah, aquele magrelo havia conquistado sua simpatia nos últimos meses, mas nem ele e nem ela tiveram culpa quando, na próxima noite, o sorriso do malandro conquistou algo mais que sua simpatia. Claro, que a principio, ela não havia se dado conta de que não seria fácil esquecer aquele sorriso. Me pergunto se hoje ela já foi capaz de esquecê-lo.
 Naquela noite enquanto ela se dedicava a seus cabelos, tentado domá-los, alguns meninos chegaram na casa. Ela, usando apenas um hobbie de cetim azul florido, passou pelo cômodo onde eles se encontravam, mas não notou o malandro. Não o notaria, provavelmente, se não fosse por um Pequeno – que ela descobriria mais tarde, ser um grande homem – que tentando avançar o limite da morena, abriu uma brecha para que o malandro a consolasse com seu sorriso. E seus beijos.
Ainda hoje, a morena é capaz de dizer com detalhes como se dera o primeiro beijo. E o último. O momento mais triste daquela noite foi quando o malandro se despediu da morena, virou as costas e partiu. A morena ficou ali, parada ao portão, observando o gingado do malandro, enquanto ele, nem por um segundo, olhou para trás. A morena interpretou aquilo como um sinal “É só isso. Acabou. Afinal, é carnaval.” Mas no outro dia o malandro chegou de mansinho e a morena deixou-se levar.  
Enfim, o carnaval acabou. E com ele, o insólito romance com o malandro.
Ou não.
Foram semanas regadas de sorrisos fartos estampados no rosto da morena a cada mensagem do malandro. Dias e mais dias se afeiçoando àquele jeito tão próprio do malandro pensar. Um jeito dele, mas que se parecia muito com o jeito dela. Não em todos os assuntos, não nos assuntos mais importantes. Em alguns assuntos que a morena não conseguia explicar.
A morena possuía dores muito profundas e apesar de se sentir tão bem com o malandro, não sentia confiança em lhe contar o quanto havia crescido o apreço dela em relação a ele, naqueles longos e tão curtos três meses.
O malandro, como era de se esperar, acabou se bandeando para os braços de outra morena. Ele nunca saberá o tamanho da dor que causou na nossa pequena morena, que naquele momento não conseguia pensar em nenhum outro malandro.
Ela era orgulhosa demais para lhe dizer o que sentia. E ele estava decidido por demais em ir ao encontro da outra morena.
Nossa pequena morena não teve outra alternativa a não ser seguir em frente.
Um dia, eles se reencontraram!
O malandro não carregava mais a outra morena a tira colo. Mas carregava aquele sorriso.
O reencontro foi quente. Mas mais quentes foram as lágrimas que teimaram em correr dos olhos da morena no dia seguinte, quando ao acordar ao lado do malandro, deu-se conta que aquilo não passara de um encontro regado a muito álcool. Acordaram sóbrios. Sóbrios demais para fingirem que aquilo poderia continuar.
Nossa pequena morena encontrou e se encantou por outro sorriso. E dessa vez o ostentador do sorriso não era um malandro. A nossa pequena morena não tinha do que se queixar.
Meses depois, o malandro se encantou por outra morena. O malandro se encantava fácil.
Mais uma vez, nossa pequena se deixou banhar pelas lágrimas e pelo abraço do Príncipe. O Príncipe não desconfiou nem por um momento que aquelas lágrimas eram culpa de um malandro. E a morena não compreendia o motivo de suas lágrimas. Algum tempo depois ela compreendeu.
A morena entendeu, finalmente, que encantamento, paixão e amor são coisas diferentes que podem até andarem de mãos dadas, mas não dependem uma da outra para existir. O malandro despertou muitas coisas na morena, mas foi o Príncipe que conquistou o seu amor.
E quem irá dizer que o malandro e a nossa pequena morena não viveram felizes (para sempre?)? A nossa pequena morena encontrou seu príncipe. Tal como o malandro encontrou sua princesa. E os dois estão muito felizes. Cada um com seu próprio final feliz.


PS: Em homenagem a uma velha amiga. 



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