Cartas
Acordei me lembrando das cartas.
Não me refiro àquelas cartas que chegam pelas mãos
de um carteiro e contêm um selo registrando de onde essa carta saiu. Refiro-me
as cartas realmente significativas... Àquelas que chegam por debaixo da porta
sem se saber de onde veio ou de quem, até que se abre e se depara com “querida/o Fulana/o” e é nesse momento que percebemos que a carta será “das boas”.
São cartas de amor, entenda-se por amor qualquer
tipo de amor. São cartas de saudade. São cartas de ódio (ops, este entra na
categoria “qualquer tipo de amor”). São cartas que dizem o que alguém não pôde
dizer olhando nos olhos e sentindo a vibração. Mas são cartas cheias de
vibração, sentimentos, expectativas. São cartas que vão e não se sabe se uma
carta-resposta voltará. Às vezes não há como voltar, pois, nem todas tem
remetente (explícito. Sempre se sabe de onde partiu uma carta, mesmo não
sabendo).
O semblante iluminado, as mãos trêmulas, a mente
curiosa e confusa... e do outro lado, uma mente aliviada, um coração em
desarmonia, um semblante úmido e vermelho (ou não), mãos hábeis.
Escrever uma carta, colocar cada sentimento e cada
sensação em forma de palavras combinadas é maravilhoso. Mas, não precisar
escrevê-las, ah! É indescritivelmente libertador.
Acordei me lembrando dessas cartas, porque dormi
pensando nelas. Nunca recebi uma carta assim e nunca enviei uma. Por quê? Por que sempre tive a oportunidade de poder
remeter o que eu sentia direto aos olhos do destinatário.

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