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Carta de um portador de Alzheimer à sua esposa, Leninha

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“Leninha, meu amor,   Escrevo-te esta carta, mas a única viagem que ela fará, será da minha mão para a tua. Escrevo-te porque vais precisar de a ler muitas vezes, e eu também vou precisar que a leias. Não é à toa que me esqueço constantemente das coisas, não é à toa que de um momento para o outro a minha personalidade muda, não é à toa que por vezes o meu discurso não faz sentido. Mas que Deus me ajude a terminar esta carta, pelo menos esta carta, sem que a memória se vá embora e me deixe perdido a olhar para esta folha. Hoje sei que em breve não saberei quem sou, disseram-me os médicos. Tenho alzheimer. Deixarei de viver antes do dia da minha morte, a vida escolheu-me para ter este fim, mas antes disso, escolheu-me para ser o marido mais feliz do mundo, o pai mais feliz do mundo, e por isso não consigo ficar desiludido com ela. Aceito, só posso aceitar. Não fiques triste por mim, meu amor, pois eu não irei sofrer, não me irei lembrar sequer da dor. Os nossos filhos est...

Aqui jazz, blues e bossa nova

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Da série: Motivos pelos quais a Psicologia me conquista todos os dias. Momento: Segundo dia de preparação para intervenção com adolescentes/jovens no estágio de Terapia do Luto. Tarefa 1: Escrever o meu atestado de óbito. Tarefa 2: Escrever meu epitáfio. Nível de dificuldade: 0 Atestado de Óbito Aos 27 dias do mês de setembro do ano 2069, às 14:21h, falece nesta cidade de Gramado – Rio Grande do Sul, a Senhora Paula Cristina Meireles, aos 78 anos de idade. A Senhora Paula sofreu um infarto do miocárdio enquanto revia um antigo álbum de fotografias. Se encontrava, no momento, na presença de seu marido. A causa do infarto não foi conclusiva já que Senhora Paula não possuía vícios e praticava exercícios regulares. Epitáfio: “Aqui jaz alguém que quis e conseguiu fazer a diferença.” PS1: Possuo vícios e não pratico exercícios regulares. Mudar isto enquanto há tempo. PS2: Acredito que 78 anos é tempo suficiente para viver tudo o que se há para viver e não...

Todo carnaval tem seu fim!

Há dias ela combinava com algumas amigas e amigos de passar o carnaval em uma cidade vizinha. Ela não imaginava que aquele seria o caminho que ela percorreria chorando, um dia, por causa do sorriso do malandro que não se abriria, talvez nunca mais, da mesma forma para ela. Mas naquele dia, ela amanheceu elétrica. Era seu segundo carnaval de rua. A animação tomava conta dela do mesmo jeito que os seus short’s tomavam conta de sua mala. Naquele dia ela não podia imaginar como seria seus próximos meses. Passou o dia arrumando a mala, escolhendo cada roupa e acessório. Ela chegou na cidade mais tarde que o planejado. Se encontrou com os amigos. Comeram, conversaram e ela foi dormir acompanhada de um “magrelo”... Ah, aquele magrelo havia conquistado sua simpatia nos últimos meses, mas nem ele e nem ela tiveram culpa quando, na próxima noite, o sorriso do malandro conquistou algo mais que sua simpatia. Claro, que a principio, ela não havia se dado conta de que não seria fácil esquec...

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"Não é possível convencer um crente de coisa alguma,  pois suas crenças não se  baseiam em evidências,  baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar. " - Da série "citações que me leem". 

Não achei um título para isto

"Os bons dias que alguém gostaria de viver com a gente não podem sofrer pelos dias [...] que já vivemos com outro alguém. Pessoas boas aparecem na nossa vida para ocupar os bons lugares que tentaram (não de propósito) estragar.  No fim das contas, vivendo entre boas e más pessoas, nós seremos sempre as mesmas pessoas (será?). Isso quer dizer que o passado não pode prejudicar o nosso futuro. O passado é lição, não prisão." Por: Márcio Rodrigues - Um travesseiro para dois

Entrego, confio, aceito e agradeço

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“Eu lhe suplico, com fervor,  que seja paciente com o que não foi resolvido em seu coração  e que tente amar as próprias perguntas como quartos trancados  e como livros escritos em língua estrangeira.” Estava, há algum tempo, tentando escrever algo que descrevesse a angústia gerada por perguntas que tem me falado cada vez mais alto. Não consegui. Então, me deparei com esta citação de um autor que eu não sei qual é. Reconforto para as perguntas sem respostas. Consolo para a angústia. Enfim, foi a resposta perfeita para tudo, uma resposta não para minhas perguntas, mas para a pergunta que eu não me fiz. Não devo me preocupar com as respostas, simplesmente, devo amar meus questionamentos. Afinal, são eles que me impulsionam e me fazem melhor e mais madura. O meu coração saberá o momento certo de estar completamente em paz.  Entrego, confio, aceito e agradeço. _/\_

Cartas

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Acordei me lembrando das cartas.  Não me refiro àquelas cartas que chegam pelas mãos de um carteiro e contêm um selo registrando de onde essa carta saiu. Refiro-me as cartas realmente significativas... Àquelas que chegam por debaixo da porta sem se saber de onde veio ou de quem, até que se abre e se depara com “querida/o Fulana/o” e é nesse momento que percebemos que a carta será “das boas”. São cartas de amor, entenda-se por amor qualquer tipo de amor. São cartas de saudade. São cartas de ódio (ops, este entra na categoria “qualquer tipo de amor”). São cartas que dizem o que alguém não pôde dizer olhando nos olhos e sentindo a vibração. Mas são cartas cheias de vibração, sentimentos, expectativas. São cartas que vão e não se sabe se uma carta-resposta voltará. Às vezes não há como voltar, pois, nem todas tem remetente (explícito. Sempre se sabe de onde partiu uma carta, mesmo não sabendo). O semblante iluminado, as mãos trêmulas, a mente curiosa e confusa... e do outro lado...

As estrelas não tem culpa nenhuma

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E cada vez mais me dou conta de como as coisas são findas. Tudo teve um começo e terá um final. Tudo o que temos a oportunidade de fazer é saborear o intervalo entre estes dois extremos. Não importa se este intervalo dura um dia, três meses ou cinquenta anos, o que interessa é VIVER este intervalo. E - Oh, Deus - como a vida se torna espetacular quando nos damos conta disso! Porque alguns infinitos são, de fato, maiores que outros! Gratidão por todos os meus infinitos com números contados.

Deus???

Há mais ou menos dois anos atrás, após uma morte extremamente chocante de um amigo (jovem) da família e uma despedida feita pelo seu irmão, uma despedida digna de filme dramático escolhi acreditar que há, sim, um Deus, ou, seja lá o que for, que controla esse e outro tipo de coisas, e que tudo, absolutamente tudo acontece do jeito que este Deus acredita ser o certo para cada um aqui na Terra. Há alguns dias atrás comecei a mudar de ideia e hoje, eu duvido muito que exista um Deus lá em cima preocupado com as pessoas. Se há um Deus, ele não anda sabendo muito bem o que faz, e isso já tem um tempo. Se ele é responsável por cuidar de tudo por aqui, como é possível tantas tragédias com pessoas que (aparentemente) mereciam morrer dormindo tranquilamente em uma cama quente. Morrer não é uma questão de merecimento, mas há mortes que, sinceramente, parecem carregar um grau de crueldade. Prefiro acreditar apenas que cada pessoa aqui na Terra faz suas escolhas e lida com as consequências e,...

Sem título

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Tenho experimentado uma sensação muito estranha de sentir, em cada centímetro do meu corpo, uma saudade absurda de coisas que eu tanto quis nunca mais ter por perto. Angústia é uma sensação arrasadora que atravessa cada músculo do corpo e nos lembra de forma cada vez mais convincente de que as memórias sempre voltam para acertar as contas. Entendo agora que ter saudade do passado não é desejá-lo de volta, a saudade do passado surge, verdadeiramente, quando tomamos consciência de que o nosso presente nos levará a um futuro que enterrará de vez nosso passado; todas as pessoas, as situações, os momentos já vividos, não poderão mais ser revividos. Mesmo as lembranças de momentos que causaram dor tem um espaço especial em uma parte de nós. E estar em calmaria e felicidade gera uma desinquietação, pois, quando estamos acostumados a nadar em um mar revolto, o silêncio do riacho incomoda um pouco. Contudo, nada se compara a extraordinária sensação de completude que me invade a ca...

Aaaaaaaaaaahhhhh!!!!!

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Ah!!!!  Como foi bom ter a inocência de desejar tornar-me adulta,  sem saber que ser “gente grande” é muito mais do que usar salto alto e maquiagem. Como era bom ser colocada no colo  todas as vezes que, após uma queda, o choro era inevitável. Como era bom acreditar que o mundo é uma máquina de realizar desejos. Aaaaahh!!!!  Como seria bom não ser sufocada pelo peso das dúvidas e decisões. Seria incrível se por um dia,  somente um dia,  pudesse saber-me no caminho certo. Talvez seja inocência desejar que pudesse ser possível voltar a ser criança,  tanto quanto foi inocência desejar ardentemente me tornar adulta.  Mas de que são feitos os sonhos  se não de um pouco de inocência,  uma dose de utopia e  algum bocado de coragem? Logo, meu sonho, neste momento, é conformar-me em ser adulta,  assim como deveria ter me conformado em ser uma criança quando ainda o podia.

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"Eu me apaixonei da mesma forma que alguém cai no sono: gradativamente e de repente, de uma hora para outra."

Simples assim...

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"Quando o olhar, for mais forte que tocar, é Amor."

Ele!

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Há dois dias vi uma foto de um casal visivelmente apaixonado, cuja legenda (escrita pela menina) era a seguinte: poucas coisas na vida são melhores do que seu ombro! Pensei comigo mesma que alguém que pode dizer essas palavras – tanto quanto alguém que pode as escutar – como sendo a maior verdade de todas, bom... esse alguém experimenta uma das formas de felicidade mais puras que existe. Não foi nem uma e nem duas vezes que me olhei no espelho e, como se estivesse diante de alguém que esperou aquela decisão por toda a vida, prometi que nunca mais meus olhos se encheriam de lágrimas por nenhum desses moleques que parecem brotar de forma descontrolada nesse meu mundinho que gira, gira, gira e sempre me coloca de frente com os mesmos babacas (por que não ser clichê quando se trata desse assunto?). Há algumas semanas atrás me olhei no espelho e mais uma vez meus olhos estavam cheios de lágrimas, mas, dessa vez, a minha boca ostentava um sorriso, um daqueles sorrisos bobos ...

Com o mesmo sorriso na boca... só pra variar!

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E, de repente, aquela pessoa ressurge – não sei se seria esse o termo correto, já que ela nunca desapareceu completamente – dizendo exatamente o que eu tanto queria ouvir. Não pude evitar que meu coração desse pulos e tive que fazer um esforço relativamente grande para conseguir pensar em uma resposta. Logo eu, que já havia imaginado aquela conversa tantas vezes; que já tinha ensaiado o que ele diria e o que eu responderia.  Talvez tenha sido esse o problema, pensei tanto em tudo aquilo, imaginei tantas diferentes formas de discorrer sobre aquelas questões mal resolvidas, que tive dificuldade para escolher qual das versões de resposta eu daria a ele. A única parte que eu não havia ensaiado era a minha reação ao perceber que eu havia me apaixonado sim, não por ele, mas pela ideia que eu fazia dele; que sofri mais pela falta de explicações do que pela falta dele. Acho que mais uma vez, era o orgulho me fazendo sofrer, dessa vez tendo em mente um nome e um par de ol...

E não é?

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"De tanto amar errado, percebi que estamos muito mal acostumados com os padrões. Por exemplo: se conhecemos alguém, e em menos de 24 horas sentimos vontade de casar com essa pessoa, nos culpamos, pois aprendemos que mostrar interesse rápido por alguém nos faz perder o respeito do outro, nos faz parecer franzinos.  Se nos encantamos no primeiro encontro, e saímos por aí divulgando isso aos quatro ca ntos, com um sorriso de fora a fora no rosto, somos precipitados, imaturos, iludidos. E é sempre assim: para a grande maioria, relacionamento só dá certo se um dos dois se faz de difícil. Teorias que não passam de teorias, apenas. Queria muito entender porque damos tanta importância ao que os outros pensam. Isso é cultural, eu sei. Vivi assim por anos. O que me intriga é ver essa seita com milhares de seguidores fiéis – milhares de pessoas que deixam de dizer ‘eu te amo’ porque isso só se pode dizer com o passar do tempo. Acho isso tão cruel: abafar felicidade.  ...

Afinal, quem muito se ausenta...

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Uma vez, li em algum lugar que, qualquer pequeno “fim” transmite a exata sensação que temos quando alguém nos é tomado pela fatídica e tão temida morte. Eu acho que não pode existir definição melhor... pois despedidas – mesmo que não sejam – nos fazem achar que é definitivo, que é uma situação que não pode ser modificada, que a pessoa que se despede , não mais, voltará a conviver, sorrir, chorar e nem compartilhar mais nada conosco. A única diferença (e essa é a diferença crucial) que me faz aceitar as mortes, mas não me deixa aceitar as despedidas é que, geralmente, morrer não é uma decisão, não acontece de forma programada, não nos deixa com a sensação de que aquela pessoa não nos ama mais – ao contrário, o amor da pessoa que falece, será sempre o amor mais seguro que possuímos, pois nada mais poderá modificá-lo. No entanto, as despedidas acontecem de forma programada, decide-se ir embora. Despedidas me dão a nítida sensação de que minha companhia não é mais necessária...

Por Fernando Pessoa

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"É humano querer o que nos é preciso,  e é humano desejar o que não nos é preciso mas é para nós desejável.  O que é doença é desejar com igual intensidade  o que é preciso e o que é desejável,  e sofrer por não ser perfeito  como se se sofresse por não ter pão.  O mal romântico é este: é querer a Lua como se houvesse maneira de a obter."

Por Gabito Nunes

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“Mesmo assim, hoje senti uma puta falta sua, da sua pontualidade física, de todo bem que aquele maldito furinho no queixo me faz quando chegam juntos os fios de dois ou três dias. Eu não sei se rosas vermelhas ou qualquer metáfora que leio em livros-mulherzinha podem resumir o amor, mas quando penso em amor, vejo que ele deve ser transformador. Depois de você, eu mudei, isso é fato e como aconteceu ou quanto durou, não importa. Você pode seguir do outro lado da cidade sem me ligar e eu ficar aqui, arrastando o sofá até a porta pra que você não possa voltar. Mas agora tanto faz, as rosas morrem mesmo sem dedicar cinco reais ou sua vida inteira.”