Afinal, quem muito se ausenta...



Uma vez, li em algum lugar que, qualquer pequeno “fim” transmite a exata sensação que temos quando alguém nos é tomado pela fatídica e tão temida morte. Eu acho que não pode existir definição melhor... pois despedidas – mesmo que não sejam – nos fazem achar que é definitivo, que é uma situação que não pode ser modificada, que a pessoa que se despede , não mais, voltará a conviver, sorrir, chorar e nem compartilhar mais nada conosco.

A única diferença (e essa é a diferença crucial) que me faz aceitar as mortes, mas não me deixa aceitar as despedidas é que, geralmente, morrer não é uma decisão, não acontece de forma programada, não nos deixa com a sensação de que aquela pessoa não nos ama mais – ao contrário, o amor da pessoa que falece, será sempre o amor mais seguro que possuímos, pois nada mais poderá modificá-lo.

No entanto, as despedidas acontecem de forma programada, decide-se ir embora. Despedidas me dão a nítida sensação de que minha companhia não é mais necessária, que o amor (se houve) não existe mais e que, nada do que eu faça (assim como a morte) será capaz de reverter tal acontecimento.

Orgulho. É esse o meu problema. É por isso que as despedidas, os “A-deus”, os pontos finais, os “vou ali, mas não volto” me machucam tanto...
Egoisticamente falando, é inaceitável para mim, entender que eu sou dispensável na vida de alguém que, para mim, foi e ainda é importante.
A boa noticia é que, tanto na morte quanto em qualquer outro tipo de despedida, a sensação de perda acaba e sobra apenas uma saudadezinha boa, quando se lembra com carinho dos momentos que se teve com determinada pessoa.


Afinal, tudo passa... mas o que nos marca, fica guardado! 



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