Soneto da Separação


De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a ultima chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinicius de Moraes





Comentários

Janaine Alves disse…
"Fez-se do amigo próximo o distante (?)
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."

Só de repente... Amigos de verdade nunca dizem adeus...
Paula Meireles disse…
hehe.. sempre me surpreendo como um poema pode ter varias interpretaçoes!!!
... de todo jeitooo, concordo com vc, o q eh de verdade nao acaba, se acaba é pq nao era real! ;p

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